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Dr. Lucas Tadeu Moura Endocrinologia e Clínica Médica

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Cirurgia bariátrica, preparo e acompanhamento

A cirurgia bariátrica é uma opção para casos selecionados de obesidade e o começo de um acompanhamento que dura a vida inteira. Aqui estão as indicações, as técnicas e os cuidados que vêm depois.

Mãe e filha adulta caminham abraçadas por uma rua arborizada de casas antigas, vistas de costas, ao entardecer

Um pouco de história

As primeiras técnicas surgiram há cerca de 60 anos, inicialmente em animais de laboratório e depois em humanos, e foram abandonadas pelo grande número de complicações. A partir da década de 1970, com o aprimoramento das técnicas e a evolução tecnológica, as cirurgias passaram a ter menos complicações e a permitir seguimento a curto e longo prazo. Hoje, a maioria é feita por videolaparoscopia.

Quem tem indicação

Nos casos de obesidade grau 3 (IMC acima de 40), ou grau 2 (IMC acima de 35) com doenças associadas ao excesso de peso, como diabetes tipo 2, doenças cardíacas, apneia do sono e outras, sem sucesso com o tratamento clínico bem conduzido, existe a opção do tratamento cirúrgico. A Resolução CFM nº 2.131/2015 define os critérios no Brasil, e as diretrizes internacionais mais recentes discutem indicações em faixas de IMC menores para situações específicas.

As contraindicações incluem risco cirúrgico elevado por doenças graves, como insuficiência cardíaca avançada, dependência de álcool ou drogas e doenças psiquiátricas graves não controladas.

Como é a avaliação antes

Os candidatos passam por avaliação pré-operatória completa com equipe multidisciplinar: endocrinologista, cirurgião, nutricionista, psicólogo ou psiquiatra, anestesista e outros especialistas quando necessário. Além dos exames, a avaliação procura deficiências nutricionais já existentes, doenças hormonais que precisam ser tratadas antes, e a compreensão, pela pessoa e pela família, dos riscos e das mudanças de hábito que a cirurgia exige. Essa avaliação é proteção, não burocracia.

As técnicas

As técnicas se dividem por mecanismo de ação:

  • Restritivas, que reduzem a capacidade do estômago e a quantidade de alimento ingerida, como a gastrectomia vertical (sleeve). A banda gástrica ajustável é hoje pouco usada.
  • Mistas, com componente restritivo e disabsortivo, em que parte do intestino deixa de participar da absorção, como a derivação gástrica em Y de Roux (bypass gástrico), a técnica mais estudada.
  • Predominantemente disabsortivas, como as derivações biliopancreáticas, reservadas a casos específicos.

Além do efeito mecânico, a cirurgia muda os hormônios do intestino que regulam fome, saciedade e glicose, o que explica parte da melhora do diabetes.

Complicações possíveis

Todo procedimento está sujeito a complicações, que variam com a técnica e com a adesão às mudanças alimentares. Nas técnicas restritivas, vômitos e intolerância a alimentos mal mastigados podem ocorrer. Nas técnicas com disabsorção, as complicações imediatas são semelhantes, mas a longo prazo predominam as carências de vitaminas, minerais e proteínas, que podem causar anemia, perda óssea, neuropatia e outras doenças se não forem prevenidas.

O acompanhamento depois: por que continua

A cirurgia muda a forma como o corpo absorve alimentos, vitaminas e minerais. Esses efeitos são permanentes. Deficiências podem aparecer anos depois, muitas vezes sem sintomas no início, e o peso pode voltar a subir em parte das pessoas. Por isso todas as pessoas operadas devem manter acompanhamento com equipe multidisciplinar (cirurgião, endocrinologista, nutricionista e psicólogo) pelo resto da vida.

O Dr. Lucas atendeu de 2012 a 2017 no Ambulatório de Obesidade e Cirurgia Bariátrica do Hospital das Clínicas da FMUSP, onde o acompanhamento de longo prazo dessas pessoas faz parte da rotina.

Vitaminas e minerais. As deficiências mais comuns são de ferro, vitamina B12, vitamina D, cálcio, ácido fólico e, em alguns casos, zinco, cobre e tiamina (vitamina B1). A suplementação é contínua, e os exames mostram se a dose está adequada. Em deficiências graves ou com má absorção documentada, a reposição pode precisar ser injetável ou endovenosa, com indicação clínica.

Ossos. A absorção menor de cálcio e vitamina D, somada à perda de peso, pode reduzir a massa óssea. A densitometria e os exames de sangue orientam a prevenção.

Glicose. Muitas pessoas com diabetes tipo 2 têm melhora importante depois da cirurgia, mas o diabetes pode voltar com o tempo e precisa ser monitorado. Algumas pessoas passam a ter hipoglicemia depois das refeições, que tem tratamento.

Peso. Algum reganho depois do menor peso atingido é esperado. Quando ele é maior, a investigação procura causas como mudança na alimentação, sono, remédios e fatores emocionais, e as opções incluem ajuste do plano, acompanhamento nutricional e, em casos selecionados, medicação.

Outros sinais. Queda de cabelo, cansaço, anemia, formigamento nas mãos e nos pés e alterações de humor merecem avaliação.

Frequência das consultas

No primeiro ano, as consultas são mais próximas. Depois, costumam ser semestrais ou anuais, com exames de sangue conforme o tipo de cirurgia e a situação de cada pessoa. O plano é combinado com a equipe que operou e com a nutricionista.

Perguntas frequentes

Fiz a cirurgia há anos e não faço exames. Preciso voltar?

Sim. Deficiências de vitaminas e minerais podem se instalar em silêncio anos depois da cirurgia. Um retorno com exames completos é o ponto de partida para retomar o acompanhamento.

Posso engravidar depois da cirurgia?

Sim, mas a recomendação geral é esperar de 12 a 18 meses, quando o peso está mais estável. Quem planeja engravidar precisa de avaliação antes, com ajuste das vitaminas e acompanhamento durante a gestação.

O diabetes some depois da bariátrica?

Muitas pessoas entram em remissão, mas a remissão pode não ser permanente. O acompanhamento da glicose continua, e o tratamento pode precisar ser retomado.

O peso volta?

Algum reganho é esperado. Reganho maior tem causas que podem ser investigadas e tratadas. Nenhum resultado, com ou sem cirurgia, é garantido.

Fontes

  • Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.131/2015.
  • Eisenberg D, et al. 2022 ASMBS/IFSO Indications for Metabolic and Bariatric Surgery. Surgery for Obesity and Related Diseases, 2022.
  • Mechanick JI, et al. Clinical practice guidelines for the perioperative nutrition, metabolic, and nonsurgical support of patients undergoing bariatric procedures, 2019 update. Endocrine Practice, 2019.
  • Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). Orientações ao paciente.

Última atualização do texto: 25/09/2026.

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