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Dr. Lucas Tadeu Moura Endocrinologia e Clínica Médica

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Testosterona, próstata e fertilidade: mitos e cuidados

Testosterona causa câncer de próstata? E a fertilidade? Entenda o que a ciência atual diz sobre os riscos da reposição e os cuidados no acompanhamento.

Autor
Dr. Lucas Moura
Publicado
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4 min
Fontes
3 referências

Dois medos cercam a reposição de testosterona e afastam muitos homens que teriam indicação, ou aproximam, sem o devido cuidado, quem não deveria usar. O primeiro é o câncer de próstata. O segundo é a infertilidade. Os dois temas merecem uma resposta precisa, porque as respostas rápidas que circulam, de "testosterona causa câncer" a "testosterona é só benefício", estão as duas erradas. Entender o que a ciência mostra é o que permite uma decisão consciente.

O mito da próstata

A ideia de que a testosterona causa câncer de próstata vem de uma observação antiga e verdadeira: bloquear a testosterona faz regredir tumores de próstata já instalados. Daí se concluiu, por muito tempo, que o contrário também seria verdade, ou seja, que repor o hormônio provocaria o câncer. Essa conclusão não se sustentou nos estudos mais recentes.

A análise de segurança prostática do estudo TRAVERSE, que acompanhou mais de 5 mil homens com hipogonadismo, não encontrou diferença significativa na incidência de câncer de próstata entre o grupo tratado com testosterona e o grupo placebo. Revisões atuais sobre o tema, como a publicada em Trends in Urology & Men's Health, reforçam que, em homens com deficiência confirmada e sem câncer ativo, a reposição com acompanhamento adequado não demonstrou aumentar o risco da doença.

Isso não significa ausência de cuidado. A reposição é contraindicada em homens com câncer de próstata ativo, e o PSA, exame que ajuda a rastrear alterações prostáticas, é monitorado antes e durante o tratamento. O que mudou foi a compreensão: a testosterona bem indicada e acompanhada não é a vilã que se imaginava, mas também não dispensa vigilância.

A questão real da fertilidade

Aqui o cuidado é diferente, e precisa ser dito com todas as letras: a testosterona de fora reduz a fertilidade. Esse não é um mito, é um efeito esperado do tratamento.

Quando você recebe testosterona por medicamento, o cérebro entende que há hormônio suficiente no corpo e reduz os comandos (LH e FSH) que estimulam os testículos. Com isso, cai não só a produção natural de testosterona, mas também a produção de espermatozoides. O resultado pode ser uma queda importante na contagem de espermatozoides, às vezes a zero, com impacto direto na capacidade de ter filhos.

Por isso, antes de iniciar a reposição, a diretriz da Endocrine Society orienta avaliar os planos reprodutivos. Para o homem que deseja ter filhos, em geral não se usa testosterona de reposição; existem outras estratégias de tratamento que preservam a fertilidade, discutidas caso a caso. Essa conversa precisa acontecer no início, não depois.

Outros cuidados do acompanhamento

A reposição bem conduzida envolve monitorar alguns parâmetros ao longo do tempo:

  • Hematócrito e hemoglobina: a testosterona estimula a produção de glóbulos vermelhos, e um aumento excessivo (eritrocitose) eleva o risco de trombose. É um dos motivos para acompanhamento regular.
  • PSA e avaliação prostática: monitorados conforme a idade e o risco.
  • Sintomas e exames hormonais: para confirmar que a dose está adequada e que o tratamento faz sentido.

Esses controles existem justamente porque o tratamento, embora seguro quando bem indicado, não é isento de efeitos. Eles são a diferença entre uma reposição responsável e um uso descuidado.

O cuidado que está acima de todos

Nenhum desses riscos e benefícios se aplica a quem não tem hipogonadismo. A reposição de testosterona é tratamento para deficiência confirmada, não um recurso de estética, de ganho de massa muscular ou de desempenho. O uso do hormônio, ou de anabolizantes, com essas finalidades em quem tem testosterona normal é vedado pela Resolução CFM nº 2.333/2023 e concentra justamente os piores desfechos: infertilidade, eritrocitose, alterações cardíacas e hepáticas, sem o benefício que só existe para quem tem deficiência real. É por isso que a indicação correta, feita em consulta, importa tanto.

Perguntas frequentes

Testosterona causa câncer de próstata?

Os dados atuais, incluindo a análise de segurança do estudo TRAVERSE, não mostraram aumento significativo da incidência de câncer de próstata em homens com hipogonadismo tratados e acompanhados. Homens com câncer de próstata ativo não devem usar, e o PSA é monitorado durante o tratamento.

A reposição de testosterona causa infertilidade?

Sim, pode causar. A testosterona de fora reduz a produção de espermatozoides, às vezes de forma importante. Por isso, quem deseja ter filhos deve conversar sobre isso antes de iniciar; em geral há outras estratégias que preservam a fertilidade.

Quais efeitos colaterais exigem acompanhamento?

Os principais são o aumento do hematócrito, que eleva o risco de trombose, e as alterações prostáticas. Por isso o tratamento inclui controle periódico de hematócrito, PSA e sintomas. Fora da indicação correta, o uso concentra riscos sem benefício.

Fontes

Dr. Lucas MouraMédico · CRM-SP 125.324
Endocrinologia e Metabologia RQE 36687
Clínica Médica RQE 36686
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta; a conduta é individual.

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